
Entidade sugere contratação anual de armazenamento, expansão de usinas solares e universalização do acesso à energia limpa até 2030; agenda foi anunciada na Intersolar South America
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) apresentou uma agenda ao próximo governo federal com medidas para reduzir o desperdício de energia renovável, ampliar a flexibilidade do sistema elétrico e aumentar o acesso à eletricidade limpa até 2030. O conjunto de propostas foi divulgado no dia 25 de agosto, durante a Intersolar South America, em São Paulo.
Bateria Brasil: storage e neutralidade tecnológica
Na frente chamada Bateria Brasil, a ABSOLAR defende leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica para criar previsibilidade e estimular investimentos em sistemas de armazenamento. A entidade propõe a contratação de pelo menos 8 GW de soluções de armazenamento e a ampliação do uso de baterias associadas à geração solar, tanto em instalações distribuídas quanto em grandes usinas. A associação argumenta que o armazenamento poderia reduzir cortes de geração renovável — que, segundo a ABSOLAR, representaram mais de R$ 6 bilhões em desperdício econômico em 2025 — e reduzir a dependência de termelétricas.
Energia que Emprega: atração de investimentos intensivos em eletricidade limpa
A segunda frente, chamada Energia que Emprega, propõe usar a abundância de fontes renováveis para atrair indústrias eletrointensivas, data centers, projetos de hidrogênio verde e outras cargas de baixo carbono. A ABSOLAR propõe planejamento coordenado da transmissão para levar infraestrutura às regiões com maior disponibilidade de energia. No documento, a entidade prevê expansão de 18 GW em grandes usinas solares capazes de atrair R$ 59,4 bilhões em investimentos até 2030, segundo estimativa apresentada pela associação.
Sol para Todos: universalização e substituição de geradores
Na frente Sol para Todos, a ABSOLAR propõe ampliar o acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras até 2030, incluindo 500 mil em sistemas isolados, e realizar leilões anuais para sistemas isolados com pelo menos 50% de participação de fontes renováveis. A associação sugere, ainda, substituir 100 mil geradores a diesel por sistemas solares com baterias para reduzir custos, poluição e ruído em localidades atendidas por geradores.
A ABSOLAR também pede equalização da carga tributária sobre baterias com a de fontes renováveis, citando que a tributação sobre sistemas de armazenamento pode chegar a 84,8% atualmente. As propostas foram apresentadas por representantes da entidade durante a feira; Bárbara Rubim e Rodrigo Sauaia são mencionados como porta-vozes das justificativas para as frentes propostas.