
Gravação entregue pela Guarda Municipal começa após a morte de Murilo Dias; defesa pede imagens integrais e metadados
As imagens captadas por câmera corporal pela Guarda Municipal de Londrina e enviadas à Justiça começam depois do momento em que o adolescente Murilo Dias foi baleado durante uma abordagem, segundo documentos e a defesa envolvidos no caso.
O vídeo encaminhado, conforme relato da defesa, mostra movimentos de autoridades e testemunhas ao redor do veículo após uma perseguição e o acidente contra um poste; o pai da vítima já havia sido levado à delegacia e Murilo já havia sido socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A gravação não apresenta o episódio central em que ocorreu o disparo, segundo a solicitação da defesa.
Pontos pedidos pela defesa
A defesa de Volmir, pai do adolescente, pediu que a Justiça requisitasse à Guarda Municipal as filmagens sem cortes nem edições e fornecimento de informações técnicas, como identificação dos equipamentos e agentes que portavam as câmeras, horários de ativação e logs ou metadados. Na manifestação, os advogados afirmam que a resposta administrativa recebida não individualiza equipamentos nem esclarece eventuais interrupções na gravação.
O processo que apura a morte de Murilo está sob sigilo, e até a última atualização não havia decisão divulgada sobre o pedido da defesa. O g1 informou que tentou contato com as defesas dos envolvidos sem retorno.
Versões sobre a ocorrência
Segundo relatório da Guarda Municipal, a ocorrência começou quando Volmir disparou uma arma no interior de uma pizzaria; em seguida, ele saiu em uma caminhonete com o filho como passageiro. Guardas afirmam que, na abordagem final após perseguição e colisão, o passageiro resistiu e teria tentado sacar uma arma, o que motivou um disparo por parte de um agente.
Volmir declarou em depoimento que, após o disparo na pizzaria, deixou a arma cair no veículo e que o filho teve uma crise de epilepsia, não tendo manuseado o revólver. Ele foi preso em flagrante, teve audiência de custódia e recebeu liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica.
A Guarda Municipal informou que não comentará o caso porque as investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios e que, administrativamente, a apuração corre na Corregedoria-Geral do Município. Os guardas envolvidos foram afastados das funções, segundo comunicado do comando.