Segundo a investigação, vítima tentou fugir de novas agressões; denúncia também aponta cárcere privado e fraude processual

O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra quatro homens por tortura qualificada seguida de morte, cárcere privado e fraude processual após a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, que caiu do 14º andar de um prédio em Londrina enquanto, segundo apurações, tentava fugir de agressões.
Resumo do caso
De acordo com a promotora Márcia Regina dos Anjos, o episódio ocorreu na noite de 13 de agosto. Alexandre teria sido trancado em um cômodo, amarrado e agredido por várias horas. Ainda segundo a promotoria, os agressores forçaram a vítima a tomar medicamentos que teriam alterado seu estado.
Queda e perícia
Segundo a Polícia Civil, Alexandre tentou acessar a sacada do apartamento abaixo para escapar, rompeu parte da rede de proteção e acabou caindo do 14º andar. O delegado Roberto Fernandes afirmou que o laudo pericial descartou que o corpo tenha sido arremessado do local, apontando para uma queda involuntária. A promotoria aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecer o estado de saúde da vítima antes da queda.
Apuração e medidas
Investigadores relataram que, após a queda, os suspeitos teriam alterado o local para simular suicídio: ocultaram objetos usados nas agressões, apagaram fotos nas quais a vítima aparecia amarrada e jogaram documentos no lixo. Conforme a investigação, o grupo acreditava que Alexandre havia furtado uma câmera fotográfica, que não foi localizada. Dois investigados teriam confessado inicialmente os fatos, diz a polícia.
Quatro homens, com idades informadas pela polícia entre 22 e 24 anos, chegaram a ser presos sob acusação de tortura com agravante de cárcere privado e resultado morte; posteriormente, a Justiça autorizou que eles respondam em liberdade — três com uso de tornozeleira eletrônica. O Ministério Público pediu também indenização de R$ 40 mil aos familiares da vítima.
A defesa dos denunciados, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, afirmou que a denúncia do Ministério Público apresenta inconsistências e excesso de acusação, e declarou que os fatos serão esclarecidos durante a instrução processual.